Maurício Schulman e o embate com César Cals

Maurício Schulman: em amplo depoimento histórico

Maurício Schulman: em amplo depoimento histórico

Personagem do livro (em elaboração) “Encontros do Araguaia”, organizado por este jornalista, o curitibano Maurício Schulman, que ocupou diretorias da Copel e as presidências do BNH e da Eletrobrás, recordou episódio envolvendo o ex-Ministro de Minas e Energia, César Cals (falecido em 1991).

Cals tinha um sobrenome que estava longe de causar confusão como o substantivo de mesmo fonema sugeria. Ele era a ordem. Engenheiro Elétrico e Civil, ele integrou o triunvirato de coronéis que comandou a política cearense durante o regime militar. Em 1970, assumiu o governo do Ceará na gestão de Emílio Garrastazu Médici. Era homem de convicções, mas antes político que administrador. Quando assumiu o Ministério das Minas e Energia na presidência João Baptista de Figueiredo, em 1980, deixou claro que primeiro atenderia os seus correligionários para depois pensar no prejuízo orçamentário da pasta e das estatais a ele subordinadas.

EMBATE VISÍVEL

Como afirma Maurício Schulman, “foi uma relação complicada”. Em um ano e meio à frente da Eletrobrás, Schulman viu crescer diante dele um amontoado de projetos de usinas de energia que a estatal não tinha a menor condição de atender. Quando o embate ficou claro, Schulman dirigiu-se ao ministro Golbery do Couto e Silva, então chefe da Casa Civil de Figueiredo, para relatar-lhe o que estava ocorrendo.

CORONEL NORDESTINO

Golbery não pareceu surpreso, mas hesitou em mexer com Cals, um homem de confiança do presidente, e “coronel” dos mais respeitados no Nordeste. A solução foi garantir o cargo a Schulman, mas sem mexer com o ministro.

GARANTIDO, MAS NÃO MUITO

De volta do Rio de Janeiro, onde ficava a sede da Eletrobrás, o dirigente foi surpreendido com a substituição de dois diretores de sua confiança a mando de Cals. De novo reclamou. De novo ouviu que o lugar na presidência da estatal era dele. “Nós não temos nada contra você”, disse Golbery. “Mas se você sair permanecerá no Conselho de Administração da Itaipu” (inaugurada em 1984). Foi o que Schulman fez.

Foram onze anos ocupando a vaga até de despedir do servidor público, no que seria a terceira fase de sua vida. Depois ele seguiria para a iniciativa privada, aceitando, a princípio, a diretoria de crédito imobiliário do Bamerindus. Foi quando sua carreira voltou a alçar voo.