Médicos irão ao CRM contra limitações impostas pelo ICS

CRMPR – Conselho Regional de Medicina do Paraná e ICS - Insituto Curitiba de Saúde

CRMPR – Conselho Regional de Medicina do Paraná e ICS – Insituto Curitiba de Saúde

O prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo já tem problemas suficientes para resolver, em número e expressão que desgastam cada vez mais sua administração, “vendida” com a promessa de que seria “renovadora”, no período de campanha.

Agora, por exemplo, deverá enfrentar o olhar judicioso e de grande prestígio na comunidade que é o do CRMPR – Conselho Regional de Medicina do Paraná.

Isso começa a ser pensado pelos médicos que atendem no ICS. Eles consideram “absolutamente errada” a intervenção de leigos em Medicina – como dirigentes administrativos do ICS – que estabeleceram o máximo de 15 minutos para uma consulta. A solução seria levar “o absurdo ao CRMPR”, diz um deles.

UM ABSURDO

“O absurdo contraria frontalmente o Código de Ética Médico”, lembra à coluna uma fonte do Sindicato dos Médicos de Curitiba que vai alinhavando as argumentações “contra a arbitrariedade que hoje sentou praça no ICS”.

Anteriormente, os médicos do ICS atendiam uma consulta a cada 20 minutos, tempo considerado “razoável”, embora não ideal, pelos médicos ouvidos pela coluna.

O IDOSO E O BEBÊ

A lógica da reclamação é claríssima: como um médico pode examinar, por exemplo, um idoso, que lhe chega em cadeiras de rodas, restabelecendo-se de cirurgia, cujo atendimento exige minúcias e peculiaridades que só o profissional conhece?

Outro exemplo da arbitrariedade é apontada: as dificuldades em atender um bebê, em estado mais ou menos delicado, em apenas 15 minutos.

SÓ LEIGOS

Enfretamentos com a diretoria do ICS têm ocorrido. De um lado, médicos protestam, consideram-se vítimas de arbitrariedades. De outro, o diretor administrativo do ICS e o advogado do Instituto – “são eles que mandam de fato na instituição” – estariam firmes na posição, exigindo que, em 4 horas de trabalho, os profissionais atendam 15 pacientes. E PT saudações.

O médico, responsável técnico do ICS, “é um funcionário antigo, vem de administrações anteriores” e não estaria disposto a desgastar-se com os novos chefes.

APOIO ELEITORAL

– “O que temos, então, são leigos em Saúde, a começar pela presidente do ICS, esposa de um ex-deputado federal que apoiou Greca de Macedo, definindo como os médicos devem atender seus pacientes”, observa um dirigente do CRMPR que, cuidadosamente – e de forma não oficial – vai examinando as reclamações de seus colegas do ICS.

LIMITAR EXAMES

No universo do ICS, do Sindicato dos Médicos e mesmo no CRMPR o que se diz é que “outros lances, mais graves ainda estão acontecendo, e quem paga o pato é o associado”.

Por exemplo, haveria uma clara determinação dos dirigentes do ICS para que os médicos limitem os pedidos de exames, tanto os procedimentos mais simples quanto os mais caros (aqueles que exigem aparelhos sofisticados). E quem tenta se opor à limitação, estaria entrando, em consequência, na relação dos “futuros bilhetes azuis”, o do desligamento do ICS.

“NADA POR ESCRITO”

– Claro que não há nada por escrito. “Esse pessoal é prepotente, mas não é burro, ainda não perdeu o juízo”, observa, com tom bem humorado, um velho médico, aposentado, que outrora serviu no ICS como funcionário da PUCPR.

Para essa fonte – que dentro do ICS mantém muitos contatos – “quem se aventura a pedir muitos exames e protesta contra as limitações deles, acaba sendo dispensado”.

MENOS MÉDICOS

A propósito: a redução do quadro de médicos do ICS salta aos olhos. Em novembro de 2016, foram dispensados pelo ICS 40 médicos contratados via PUCPR; neste ano, mais 11 foram demitidos.

Enfim, o caso ICS pode ampliar a linha de reivindicações que o funcionalismo municipal já vem desenvolvendo contra a administração de Rafael Valdomiro Greca de Macedo. Uma gestão que, definitivamente, já tem problemas de sobra, especialmente na área de saúde dos cidadãos.

O OUTRO LADO

Embora a natureza jornalística de uma coluna diária não inclua ouvir “o outro lado” no mesmo dia, a coluna tentou contato com a direção do ICS. Não se consumou em função do feriado do dia 15.