CENSURA: TONINHO MARTINS VAZ REGISTRA DEPOIMENTO PARA HISTÓRIA

Toninho Vaz contou sobre as tentativas de censura ao seu trabalho

Toninho Vaz contou sobre as tentativas de censura ao seu trabalho

Ao lado do acadêmico Laurentino Gomez e outros amigos.

Ao lado do acadêmico Laurentino Gomez e outros amigos.

Falou de seus livros

Falou de seus livros

Antonio Martins Vaz, o Toninho Martins Vaz, foi o conferencista do mês da Academia Paranaense de Letras, na quarta, 9.

Mesmerizou a plateia exigentíssima. Nela se incluíam nomes como a nova acadêmica, a poeta Luci Collin (hoje com aceitação nacional na arte de poetar), o acadêmico Laurentino Gomes, além do olhar e ouvidos sempre aguçados de gente como Dante Mendonça, Nilson Monteiro, Ernani Buchmann, Adherbal Fortes Sá, Manuel Simões e Antonio Carlos Carneiro Neto, igualmente imortais da APL.

FALA DE RESISTENTE

A fala de Toninho Vaz foi a de um resistente.

Começou por se dizer um autodidata, com precária formação escolar. O que não o impediu, digo, de se tornar um dos mais acatados biógrafos brasileiros de personalidades de nossa vida cultural contemporânea.

NÃO NEGA COMEÇO

Toninho tem boa memória, é agradecido, qualidades apreciáveis: disse dever a dois curitibanos os seus primeiros passos na vida cultural:

Paulo Leminski “que me pegou nas mãos, e de quem fui compadre”, e o jornalista Aroldo Murá Haygert, “com que comecei a escrever no Diário do Paraná, iniciando com uma história do cinema brasileiro. Aroldo me abriu as portas do jornal”.

Toninho depois trabalharia comigo também no jornal Voz do Paraná, seguindo, mais tarde, para ser um dos redatores do Fantástico.

AS HERDEIRAS

Se foi generoso ao atribuir-me papel de apoiador de seus primeiros passos na vida profissional, o biógrafo de dois monumentos da cultura brasileira, Paulo Leminski e Torquato Neto não poupou as herdeiras dos dois.

Alice Ruiz e as filhas de Leminski, assim como a viúva de Torquato, foram lembradas como os que tentaram impedi-lo de ampliar as biografias dos dois.

CENSURA INDESCULPÁVEL

Inconformado e surpreso com a censura que lhes impuseram essas herdeiras de seus personagens, fixou-se especialmente em Leminski.

Recordou que a amizade que os unia era tanta que, um dia, o poeta pediu-lhe que abortasse um “sonho” da filha Áurea, que queria debutar, com direito a vestido longo, de seda e todos os adereços desse rito de passagem.

Toninho foi bem-sucedido, o “sonho” foi dissipado sem dores.

JAIME LECHINSKI

Entre os que ouviam atentamente a Toninho estavam também Nena, a mulher dele; Jaime Lechinski e Leila Pugnaloni, parte do melhor rol afetivo do jornalista.