ADEUS, ANALÓGICA. JÁ VAI TARDE

Diogo Mainardi: “lobotomizado”

Diogo Mainardi: “lobotomizado”

Quem ainda possui uma TV analógica em algum canto da casa em Curitiba, recebeu ontem (12) uma mensagem no alto do monitor: “faltam 50 dias”. O sinal da velha TV vai expirar até o início de fevereiro de 2018. Certamente, com uma lágrima.

CAIXA CULTURAL

A nostalgia aqui não procede porque a televisão, de fato, continua a mesma. Tão chata como sempre foi. Aqueles que se recordam dos primeiros dias das transmissões de TV com um fiapo de saudade a associam com uma espécie de caixa cultural que unia a família em torno do aparelho.

Conversa.

TV EM PRETO E BRANCO

Programas de auditório, novelas, mesas redondas esportivas e debates chatos acerca de temas chatos sempre foram a mola-mestra da televisão brasileira (e mundial). Os desenhos eram da Hanna-Barbera e como diz Diogo Mainardi: “eu fui lobotomizado pela Hanna-Barbera”. O mundo podia ser colorido, mas a TV era em preto e branco.

NÃO ME CHAME

Há quem defenda a velha programação, lembrando que se você insistisse muito na troca de canais iria acabar esbarrando no teatro filmado da TV Cultura (ou Educativa). Ora, quem quer ir ao teatro que vá ao teatro (mas não me chame).

FUTEBOL DE TAMPINHAS

Para quem viu a infância passar em grandes cidades como a capital paranaense, era a diversão gratuita que se oferecia. O cinema dependia dos tostões economizados, os livros eram raros e os gibis caros. A brincadeira se resumia a chutar tampinhas de garrafa no pátio da escola ou algo congênere. Que vida chata, meus Deus.

CONTAGEM REGRESSIVA

Por isso nada de culpar a TV analógica pelos prazeres da meninice que lhe foram roubados. Imagine que ela é um foguete que vai partir para Marte e entre no coro da contagem regressiva: 50, 49, 48, 47…