ESTÃO NOVAMENTE DE OLHO NO SEMINÁRIO PARA FAZÊ-LO CONDOMÍNIO

Seminário Menor São José, de Curitiba, e seus ocupantes

O Homem chegou sem avisar, dias atrás, no Seminário Menor São José, da Arquidiocese de Curitiba, apresentando-se como “corretor Miranda”.

Para surpresa geral dos dirigentes da instituição, localizada num dos imóveis urbanos mais valorizados da cidade (70 mil metros quadrados de terreno), o cavalheiro simplesmente disse que estava “cuidando da venda do seminário”. Parece que só citou referências que o identificariam com o suposto direito de negociar. Não apresentou mandato oficial.

ANTES, UM CONSTRUTOR FALIDO

Na verdade, é antiga a ideia de venda do precioso imóvel do bairro da Orleans, onde a Arquidiocese acolhe meninos (há 55 anos) vocacionados para a vida sacerdotal, em seus primeiros passos.

Meses atrás, por exemplo, foi um ex-grande construtor (falido) que por lá apareceu, dizendo-se “enviado” por dois sacerdotes de grande influência na Arquidiocese. A intenção era examinar a área, “com vistas a uma futuro condomínio fechado, de alto luxo”.

O assunto parecia ter-se encerrado aí. Mas voltou agora com o “senhor Miranda”. O propósito dele é o mesmo: desalojar uma das mais preciosas instituições da Igreja em Curitiba, mantida até agora sobretudo por doações da comunidade, e ali implantar um “Condominium”. Aliás, a palavra condomínio foi citada pelo corretor como “a mais adequada para acentuar a dignidade do empreendimento…” É, pode ser. Como pode não ser…

Dom Lourenço Baldisseri

É MAIS CHIC: “CONDOMINIUM”

É, pode ser até que o ‘condominium’ um dia possa se consumar. Mas não será fácil. Antes terão de ser vencidos obstáculos que atilados empreendedores imobiliários enfrentarão pela frente: a) até agora o imóvel não detém a documentação essencial de todos os lotes que compreendem a área total, faltando muitas escrituras definitivas; b) vendas de bens da Igreja, acima de um determinado valor, expressivo, têm de passar pelo crivo do Vaticano. “E lá está um dos cardeais que mais conhecem Curitiba, dom Lourenço Baldisseri, que foi núncio no Brasil”, diz uma ex-advogada de associação católica de Curitiba.

Dom Lourenço teria restrições a muitas ações de dioceses brasileiras, com as quais conviveu de perto, em função de ser núncio papal.

TERÃO DE PASSAR PELO PAPA

E por último, mas não menos importante: c) o espírito que norteia as ações do papa Francisco “vai contra esse tipo de negociações”, observa um teólogo do Studium Theologicum à coluna.

Para esse padre, “a recente reunião do papa com os responsáveis pela economia e o finanças das congregações religiosas foi bem claro: o dinheiro e os bens da Igreja são do Povo de Deus.”

A propósito, lembrou ainda o teólogo, com sólida formação administrativa nos Estados Unidos: “A especulação imobiliária, no Brasil, está descobrindo que instituições católicas têm muitos imóveis preciosos, comprados há muitos anos, alguns dos tempos do Brasil Colônia…